segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A vida de Ro Mildner

Minha Vida

Meu nome é Ro Mildner
Sou artista plástica e moro na Alemanha há 7 anos
Sou uma artista produzida pela dor
E muitos iguais a mim existem, só não se acharam ainda

Nasci em 19 de julho de 1964
Hoje, com 41 anos ( agora 43) parei para escrever
em poucas linhas o que vivi

Com um dia de nascida, minha vida já corria risco
E parece que o risco continou a existir por todo o
percurso dela. Nasci de nádegas
Cheguei ao contrario no mundo

Ainda pequena uma tesoura atravessou minha boca
Essa tesoura estava no colo da minha mãe
uma trabalhadora a quem eu buscava esconder meu rostinho
de bebê no seu colo.
Ela trabalhava muito para compensar o incêndio da oficina
e moinho de café do meu pai, para que não faltasse nada aos seus cincos filhos

Me queimei aos oito meses, no colo da minha tia com café
quente, deixando marcas no meu braço até hoje

Quando pequena fiquei presa em um banheiro de uma loja
com minha mãe. E até hoje lembro-me olhando por debaixo
da porta a espera de ajuda

Caí em um bueiro ,bati o rosto em um poste e ficou terrível
Fui atropelada por uma bicicleta

De fato ,foram milhares de outros incidentes devido a andar
sempre nas nuvens

Amo dançar e ate mesmo representava na escola
Era dançarina ,escrevi peças de teatro
Passei em um teste de seleção na área de instrumentação industrial em primeiro lugar depois de concorrer com 3000 pessoas,
Sempre tive uma época para cada habilidade
Era estudiosa ,aprendia com facilidade ,física,matemática
Mais sempre odiei língua estrangeira

Tinha uma super memória
Coisa que me falta hoje

Cresci acreditando num Criador
e vivo minha vida devotada a essa crença

Vive uma vida de adolescente normal
Batendo-me e ferindo-me por todos os móveis
As 16 anos perdi meu sobrinho de quatro anos
Filho da minha irmã mais velha

Foi como se um vento entrasse na minha casa
Abrisse as portas e fosse levando todos os meus bens
Sofri,
Contudo ,tornei-me mais temente a Deus

Meu cérebro não contou conversa e começou a brigar comigo criando-me doenças ,efeito da dor que ele sentia
E que eu negava através de um sorriso

Em seguida desenvolvi a sindrome do DOC

Minhas mãos necessitavam ser lavadas por muitas vezes
E quando não lavava meu cérebro massacrava-me
Era o começo de um sofrimento sem fim

Sacos voando nas ruas era motivo para eu correr
Porque achava que iria tocar em mim
As vezes lavava as roupas varias vezes para acreditar que estava limpa
E usava muitos produtos de limpeza
Tomava de 3 a 4 banhos por dia
Hoje guardo as seqüelas atavés de asma alérgica

Casei com meu primeiro amor,virgem
Numa linda cerimônia ,aos 21 anos
Viajamos muito como pioneiros (tipo missíonarios)

E conhece muito do Brasil e sobre as pessoas
Aprendi com as dificuldades
O que é ser realmente um ser humano

Mas a sindrome de Doc (TOC) me acompanhava
E por diversas vezes adormecia nos braços do meu marido
Chorando.
Ele me prendia tentando me ajudar entre as pernas para eu não levantar de madrugada e ir lavar as mãos, hora que eu precisava de descanso de um dia cheio de contatos com doentes e pessoas com problemas típicos atuais

Entretanto a minha síndrome para muitos era motivo de piada
Para mim era viver com um mal que me tirava a alegria

Depois de oito anos de casados ,ele morre em meus braços
Num acidente de carro onde eu estava e não havia perdido
os sentidos

Com amnésia e sangrando ,corria numa estrada como louca

Havia perdido alguém que realmente me conhecia
E que me amou até o final
Declarando isso a mim antes do encapotamento do nosso
carro naquela estrada isolada de Goiás

Naquele dia parecia que aquele primeiro vento ,
Que levou meu sobrinho quando eu tinha 16 anos
Minha vó ,uma figura lendária ,aos meus 23 anos
E depois ,meu irmão por parte de pai ,três meses antes do acidente, assassinado
Agora estava levando a metade de mim nos meus 29 anos

E como ficaria eu de pé agora?
Nesse momento surgi
Uma muher que alguns chamam de artista
que domina a dor
Através das cores
Que transforma lágrimas em traços

Que canta o amor
Que segura o sol
E que ri para lua

E que anda no mar de sentimentos
Lutando e sobrevivendo tufões
E ela surge para me por de pé
Uma menina assustada e quase morta naquele acidente

E consegue me segurar e me fazer lutar até hoje

Mas meu passado involuntariamente me acompanha
E se transformou em síndrome de pânico
E mutila e corta minhas asas
E corta meus conhecimentos
Não consigo aprender com facilidade
e esqueço muito
Não tenho concentração e, tão pouco lembro-me com detalhe do passado

Isso as vezes , é motivo de alguns pensarem que há falta
de inteligência em mim
Contudo não me importo
O que procuro sempre é a verdadeira sabedoria
Essa é que enaltece o ser humano

E mudar sempre meu ser para melhor

Meus pai me encorajava cuidava dos meus ferimentos
Me acompanhava nas noites sem dormir
Então morre devido um enfarto fulminante três meses após o acidente que eu tive

Os homens da minha vida se vão e meu coração com eles

A sensação de abandono e falta de proteção é grande
Agora a síndrome de DOC ( TOC ) ganha parceiros multiladores, a depressão, e o pânico

E meu cérebro massacra-me
Fico inerte em uma cama
Por muitos meses com gesso no ombro
Que estava quebrada e dois anos seguido me perturbou

Esquecimento falta de apetite
Somente a arte e a minha fé dava forma a meu mundo

Fico de pé de novo

Mesmo com medo
Transformo o medo em ação

Casei-me depois de seis anos de viuva
com um alemão
A quem amo de verdade
Transformando os meus medos e me tornando mais forte

Travei lutas
Tive que me acostumar com o silencio e escuridão da Alemanha
Que me amedrontou no começo
E também lutei com a frieza européia

Contudo aprendi a tirar o melhor de um povo

Tive de conviver com vários outros males físicos
Que se aproveitam da minha sensibilidade emocional
Hipertensão, asma e seqüelas do acidente passado

Tudo isso me levou a criar o Arte em Movimento
Que tem como objetivo ajudar pessoas com depressão
E outros problemas emocionais a sobreviverem e não terem vergonha de admitirem estarem doente e a procurarem ajuda
Virei uma palestrante

Estar depressivo não é fraqueza

Para se enfrentar distúrbios emocionais
Dependemos de muita força
E só alguém forte pode sobreviver vivendo com depressão

Agora estou vivendo com um segundo assassinato
o de meu irmão há dois anos atás
Meu irmão morre aos 38 anos, o assassino do meu outro irmão esta na cadeia ,desse Isnaldo o deus assassino se encontra livre nas ruas de Salvador, depois de matar um inocente.
A única coisa que espero é justiça
Seja ela nas mãos dos homens ou Divina

Aprendi de tudo isso o seguinte o Criador
Nunca me deixou só
Sempre foi o ultimo a soltar da minha mão enquanto repousava no conforto emocional que Ele me dava
Por isso espero nunca desagrada-lo

Não existe escuridão que a luz não possa clarear
Obrgada por me ouvi essa manha
Obrigada por me ouvir

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minhas fotos

Paciente de TOC

Hoje sou um mar frio
Distante intocável

Quem me observa tem medo de navegar
Porque não sabem os perigos a frente

As vezes fico turbulenta
As vezes fico quieta

Sou eu
Em forma de mar

As vezes sou um deserto
Sem flores
As vezes tenho muitas rosas nas mãos
As vezes corto, as vezes curo
Curo através das palavras

Mas estou calada
As vezes muito falante
Ou agressiva comigo mesma
E destruo meus órgãos

E eles me imploram através da febre
E meus olhos pouco vê esses dias
O faro do meu cérebro
Está em curto


Estou aqui com mais uma lágrima nos olhos
Mas quero continua amar vocês

E mostro isso em forma de palavras

Aceite por favor
E venha comigo

Silencio!
Senta comigo
E chora comigo
Te dou meu ombro essa noite
E te protejo nas minhas asas
E te faço ficar em pé
E digo:O amor Divino
Nós fez forte

Não chore, continue a andar
Mesmo que não veja o fim do túnel continue a andar
Que eu eu essa domesticada fera por mim mesma farei o mesmo

Mulher Sentimento

Mulher Sentimento
Chorar é coragem

Mulher Sentimento

Mulher Sentimento
Minha vida tem objetivo

Carros na Alemanha

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